Se se morre de amor
Se se morre de amor! – Não, não se morre,Quando é fascinação que nos surpreendeDe ruidoso sarau entre os festejos;Quando luzes, calor, orquestra e floresAssomos de prazer nos raiam n’alma,Que embelezada e solta em tal ambienteNo que ouve e no que vê prazer alcança!Simpáticas feições, cintura breve,Graciosa postura, porte airoso,Uma fita, uma flor entre os cabelos,Um quê mal definido, acaso podemNum engano d’amor arrebatar-nos.
Mas isso amor não é; isso é delírio,Devaneio, ilusão, que se esvaeceAo som final da orquestra, ao derradeiroClarão, que as luzes no morrer despedem:Se outro nome lhe dão, se amor o chamam,D’amor igual ninguém sucumbe à perda.Amor é vida; é ter constantementeAlma, sentidos, coração – abertosAo grande, ao belo; é ser capaz d’extremos,D’altas virtudes, té capaz de crimes!Compr’ender o infinito, a imensidade,E a natureza e Deus; gostar dos campos,D’aves, flores, murmúrios solitários;Buscar tristeza, a soledade, o ermo,E ter o coração em riso e festa;E à branda festa, ao riso da nossa almaFontes de pranto intercalar sem custo;Conhecer o prazer e a desventuraNo mesmo tempo, e ser no mesmo pontoO ditoso, o misérrimo dos entes;Isso é amor, e desse amor se morre!
Gonçalo Dias
25 de setembro de 2007
Indas e Vindas
Olhos taciturnos olhando o longigüo horizonte
Caminhando sem querer chegar,
Passa o vento leve e toca a alma suspensa
Peso, aumenta o peso do silêncio que me toma
Corre o sangue, aumenta a pressão
Suor, aperto nos olhos, lágrimas.
Mãos trêmulas, riso na dor
Ódio, raiva...
Fecho os olhos, busco dentro de mim
As pernas não preciso mais
O vento me leva suavemente
Música
Sorriso
Amor...
Caminhando sem querer chegar,
Passa o vento leve e toca a alma suspensa
Peso, aumenta o peso do silêncio que me toma
Corre o sangue, aumenta a pressão
Suor, aperto nos olhos, lágrimas.
Mãos trêmulas, riso na dor
Ódio, raiva...
Fecho os olhos, busco dentro de mim
As pernas não preciso mais
O vento me leva suavemente
Música
Sorriso
Amor...
20 de setembro de 2007
Angustia Angústia
Angústia
Por dias e horas em vão
Agindo como tolo
Indagava-me dos perigos de te ter
Xote no rádio, rock no coração
Onde estou com a cabeça, me pergunto
Na lua, nas nuvens, um absurdo
Ah, mas como é bom... como é penoso
Dói na alma a ausência, dói também a presença
Onde, onde estou com a cabeça?
Pareço criança
Orientação, nenhuma
Ruindo, roendo as unhas...
Variando, como bêbado
Onde estou com a cabeça?
Caço a calmaria
Entre os lábios teus.
Por dias e horas em vão
Agindo como tolo
Indagava-me dos perigos de te ter
Xote no rádio, rock no coração
Onde estou com a cabeça, me pergunto
Na lua, nas nuvens, um absurdo
Ah, mas como é bom... como é penoso
Dói na alma a ausência, dói também a presença
Onde, onde estou com a cabeça?
Pareço criança
Orientação, nenhuma
Ruindo, roendo as unhas...
Variando, como bêbado
Onde estou com a cabeça?
Caço a calmaria
Entre os lábios teus.
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